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Ago 21

18 Agosto, 2021

Ciência em Portugal: Um Ensaio sobre Paixão e Precariedade

“Devido à grande instabilidade na investigação, cheguei a estar sem qualquer remuneração, mas tive de trabalhar na mesma, pois tinha objetivos a cumprir, os quais não podiam ficar em suspenso, com pena de prejudicar alunos, projetos e a instituição de investigação.” - Testemunho anónimo

Esta foi uma das muitas queixas recolhidas no inquérito que a ANBIOQ realizou a nível nacional focado em questões laborais e emprego científico em Portugal. Dos 300 cientistas inquiridos, 94,6% sente que o emprego científico em Portugal não é valorizado face a outros países. De um total de 2320 candidaturas a bolsas científicas reportadas pelos inquiridos, menos de 30% resultaram em aprovação.

“Tendo nós uma bolsa ou um contrato, não somos reconhecidos como um grupo ou classe trabalhadora. Descontamos o mínimo para a segurança social (regime voluntário), não temos qualquer subsídio (alimentação, férias ou até de transporte), ou seguro de saúde. A situação negativa é a falta de reconhecimento de que, obter um grau avançado como o doutoramento, é uma profissão e um trabalho, que está cheia de deveres, mas precária em direitos.” - Testemunho anónimo

Se por vezes a precariedade é encarada como subjetiva, os 70% dos investigadores que revelaram sentir-se numa situação muito precária não deixam margem para dúvidas. Este número sobe mais ainda, para 73,8%, quando consideramos estudantes de doutoramento. Na minoria dos investigadores com contrato de trabalho (38,8%), o sentimento de precariedade acentuada continua muito elevado (62,9%).

Relativamente à qualidade de vida, 53,5% dos inquiridos considera estar numa situação significativamente mais desfavorável do que a maior parte dos empregos financiados por fundos públicos. Quando considerando a duração e estabilidade da situação de trabalho, este número sobe para 70%. Contrariamente ao esperado, os inquiridos com contrato de trabalho apresentam valores ainda elevados (44,8% e 63,8%) revelando que o contrato de trabalho é um passo em frente, mas não único para dar condições de vida e trabalho aos investigadores portugueses. Estes fatores tornam-se ainda mais preocupantes nos Bolseiros de Doutoramento (58,9% e 74,8%, respetivamente), o que mostra que, apesar de a percentagem de aprovação de candidaturas ter vindo a subir (tendo sido 49% no concurso divulgado pela FCT referente à atribuição de bolsas de Doutoramento no ano de 2021), o aumento do número de bolsas não é suficiente para conferir condições dignas aos investigadores em doutoramento.

“O facto de não ter um contrato afeta bastante o desempenho por causa da ansiedade e stress provocado por não saber quanto tempo vou ficar. (...) A situação do emprego científico em Portugal é muito triste e só faço isto porque adoro fazer ciência, mas pergunto-me, até quando?” - Testemunho anónimo

Um dos sentimentos mais firmemente captados por este inquérito foi o desinteresse e falta de apoio que os cientistas sentem pelo seu próprio país. 84,7% dos inquiridos não se vê ou não

sabe se realizaria investigação em Portugal a longo prazo. Da minoria que consegue perspectivar um futuro em Portugal (somente 14,4%), uma grande percentagem (69,8%) tem contrato de trabalho.

“A viciação dos concursos institucionais e a falta de um projecto a longo prazo para a ciência em Portugal” - Testemunho anónimo

90% dos inquiridos considera a transparência como um fator de elevada importância nos diferentes processos concursais/contratuais. 94% dos investigadores considerou haver má gestão do financiamento para o emprego científico, sendo apontados como principais culpadas as entidades governamentais (81,9%), a FCT (64,9%) e as instituições e unidades de investigação (41,8%); tal como evidenciado pelos valores apresentados (os inquiridos podiam selecionar mais do que um responsável).

Demografia da população de inquiridos

Os valores apurados foram obtidos a partir de uma amostragem de 300 investigadores que responderam a um inquérito online durante o mês de maio, divulgado através das redes sociaisdaANBIOQeporoutrasinstituiçõesdeensino/investigação. Dapopulaçãode inquiridos 53,8% são Mestres, 36,5% Doutorados, 8,7% Licenciados e 1% Outro. Destes, 38,8% têm contrato de trabalho, 35,8% Bolsa de Doutoramento, 8% Bolsa de Mestre, 6,4% encontram-se desempregados, 4% em estágio não remunerado, 2,7% com Bolsa de Licenciado, 2% com Bolsa de Pós-Doutoramento, 1,3% com Bolsa de Técnico e 1% com outras bolsas. 85,1% dos investigadores é financiada por entidades Nacionais Públicas, 5,7% por entidades Nacionais Privadas, 5,0% por entidades Internacionais Privadas e 4,2% por entidades Internacionais Públicas. A ANBIOQ encontra-se disponível para esclarecimento acerca dos dados obtidos.

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Mar 21

5 Março, 2021

Convocatória: XXIII Assembleia Geral

14

Mai 20

14 Maio, 2020

Vídeos disponíveis: “Para além da pandemia”

As conferências digitais da Associação Nacional de Bioquímicos (ANBIOQ) - “Para Além da Pandemia” - encontram-se agora disponíveis no nosso canal de notícias, que será actualizado a cada nova conversa.

Poderão assistir também no canal de youtube e redes sociais:

 

Sessão 1 - Investigação e desenvolvimento de vacinas

 

Sessão 2 - O desafio de comunicar ciência

 

Sessão 3 - Estratégias multidirecionadas e bioquímica computacional

 

Sessão 4 - Genética Humana e a crise pandémica
(Plataforma INSAFLU, disponibilizada pela convidada: https://insaflu.insa.pt/covid19/)

https://www.youtube.com/watch?v=6eRV5Ca2ybE

30

Abr 20

30 Abril, 2020

“Para além da pandemia” – Conferências digitais

 
Associação Nacional de Bioquímicos (ANBIOQ) encontra-se a organizar um conjunto de conferências/conversas digitais com personalidades da Ciência em Portugal, sob o tema “Para Além da Pandemia”.

Estas sessões enquadram-se nas actividades comemorativas dos 20 anos da ANBIOQ e decorrerão a partir do dia 1 de Maio, nas páginas de facebook, linkedin e youtube da Associação.
 
Nas primeiras duas sessões estaremos à conversa com o Dr. António Roldão (IBET) acerca de "Investigação e desenvolvimento de vacinas"; e com Catarina Ramos (Fundação Champalimaud), Sara Sá (Revista Visão) e Rita Neves (ITQB NOVA), sobre "O desafio de comunicar ciência".
 
Poderão seguir esta iniciativa em direto e interagir com questões durante as sessões no nosso canal de youtube: https://bit.ly/2zyHp9G
 
Os vídeos serão adicionados em diferido nas restantes redes sociais:

20

Mar 20

20 Março, 2020

FCT: Suspensão de contratos de bolsa, Adiamento de candidaturas e concursos

1. Prorrogação das bolsas

A ANBIOQ vem por este meio relembrar todos os bioquímicos e investigadores que, dada a situação causada pela pandemia COVID-19 e suas consequências, o Conselho Diretivo da Fundação para a Ciência e Tecnologia prorrogou automaticamente pelo período de um mês o prazo de duração de todos os contratos de bolsa diretamente financiados pelo mesmo e que estejam em vigor a 13 de março de 2020.

Durante este período, o bolseiro mantém todos os seus direitos, tais como o direito ao subsídio mensal de manutenção.

Caso o investigador exerça a sua atividade no estrangeiro esta prorrogação poderá ser de maior duração mediante justificação do mesmo perante a FCT.

A FCT fará uma avaliação a 9 de abril, onde decidirá acerca da necessidade de uma nova prorrogação automática para todas as bolsas.

Outros casos serão analisados individualmente pela FCT.

Comunicado FCT: comunicado/fct.pt
Comunicado MCTES: comunicado/MCTES

 

 

2. Adiamento dos concursos

A ANBIOQ vem por este meio relembrar todos os bioquímicos e investigadores que, dada a situação causada pela pandemia COVID-19 e suas consequências, o Conselho Diretivo da FCT prorrogou os prazos de candidatura aos seguintes concursos:

- Concurso de Bolsas de Investigação para Doutoramento 2020 (28 de abril)
- Concurso de Projetos de IC&DT em todos os domínios científicos (30 de abril)
- Concurso Estímulo ao Emprego Científico Individual - 3ª Edição (15 de maio)

Mais informações: concursos/fct.pt

 

 

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Fev 20

8 Fevereiro, 2020

Convocatória: XXII Assembleia Geral

De acordo com o disposto no Artigo 17, ponto 2, do regulamento interno da Associação Nacional de Bioquímicos (ANBIOQ), a Mesa da Assembleia Geral vem convocá-lo a participar na XXII Assembleia Geral Ordinária, que se realizará a 22 de fevereiro de 2019 na Sala 2.4 do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, com início às 15 horas. Na eventualidade de não haver quórum de associados, a Assembleia iniciará os seus trabalhos meia hora mais tarde (15h30) com os elementos presentes.

A Assembleia Geral reunirá subordinada à seguinte ordem de trabalhos:

  1. Balanço das atividades realizadas e a realizar pelos órgãos sociais do presente mandato;
  2. Discussão do plano de estratégia política da ANBIOQ;
  3. Apresentação e discussão do relatório anual de contas de 2019;
  4. Outros assuntos.

15

Out 19

15 Outubro, 2019

Parceria: Olimpíadas Universitárias da Bioquímica (NEBIOQ/AAC)

 

É com muito prazer que a ANBIOQ se junta às I Olimpíadas Bioquímicas enquanto parceiro. Este é um evento de cariz nacional organizado pelo Núcleo de Estudantes de Bioquímica da Associação Académica de Coimbra (NEBIOQ/AAC) e que tem como objetivo principal a motivação dos jovens estudantes para a área das ciências sob a forma de uma competição.

O prémio principal será um ano de propinas de mestrado pagas na Universidade de Coimbra. Poderão haver mais novidades quanto aos prémios.

Se estás interessado, não percas a oportunidade e inscreve-te até dia 3 de novembro. Para mais informações consulta o site do evento (https://olimpiadasbioquimica.pt) e acompanha as novidades nas redes: Facebook OUBFacebook NEBIOQ/AAC, Instagram: @oubioquimica, @nebioq.aac

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Set 19

6 Setembro, 2019

III International Congress in Health Sciences Research


O Comité de Estudantes de Doutoramento do CICS-UBI (CAD-CICS-UBI) tem o orgulho de apresentar o III International Congress in Health Sciences Research: Towards Innovation and Entrepreneurship - Trends in Aging and Cancer, evento do qual a ANBIOQ é parceira. O evento decorrerá na Faculdade de Ciências da Saúde de Universidade da Beira Interior, Covilhã (Portugal), entre os dias 14 e 16 de novembro de 2019, pretendendo focar os mais recentes avanços da investigação biomédica sobre envelhecimento e cancro, com os seguintes tópicos principais em discussão:

• Os mecanismos subjacentes ao aparecimento e progressão de doenças neurológicas e neurovasculares, bem como oncológicas;
• Os mecanismos de ação de novas moléculas terapêuticas;
• Abordagens inovadoras de diagnóstico e tratamento em distúrbios cerebrais e tumorais.

O congresso conta com palestrantes de renome internacional, como Jean-Louis Mergny (Inserm, France), Norbert Latruffe (Inserm, France), Sandro Da Mesquita (BIG, USA), and Patrícia Madureira (IBSS, UK), com publicações em revistas científicas de relevo, e várias distinções e prémios. Por outro lado, o evento contará com a presença de duas empresas com projetos inovadores nas áreas científicas em questão: STAB VIDA e NeuroSoV.

Desta forma, este congresso oferece uma excelente oportunidade para se juntar a um amplo painel de especialistas académicos e da indústria, contribuindo para a discussão de novas ideias nestas áreas e para o aprofundamento do networking entre investigadores e profissionais.

PRAZOS:
Submissão de resumos: até 6 de setembro de 2019
Pedido de subsídio de viagem: até 6 de setembro de 2019
Data de inscrição antecipada: até 21 de setembro de 2019
Data final da inscrição: até 1 de novembro de 2019

24

Ago 19

24 Agosto, 2019

Convocatória: XXI Assembleia Geral

A Mesa da Assembleia Geral da ANBIOQ vem convocá-lo a participar na XXI Assembleia Geral Extraordinária, que se realizará a 8 de setembro de 2019 na Sala 2.4 do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, com início às 15 horas. A Assembleia Geral reunirá subordinada à seguinte ordem de trabalhos: 1. Apresentação de pontos de interesse a apresentar a entidades políticas para as eleições legislativas do ano de 2019. 2. Discussão dos referidos pontos. 3. Aprovação de um plano final de comunicação e reivindicação política. 4. Discussão do plano de atividades para o restante do mandato. 5. Outros assuntos.  

2

Ago 19

2 Agosto, 2019

Comunicado: Resultados do Concurso de atribuição de Bolsas de Doutoramento 2019 e Implementação do Decreto-Lei nº57/2016

A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a par do Governo de Portugal, comprometem-se regularmente a aumentar o financiamento, melhorar as condições de investigação, entre muitos outros. Nos anos de 2018 e 2019, isto não foi exceção. A implementação do Decreto-Lei n.º 57/2016, de 29 de agosto, (DL57) foi, segundo múltiplos comunicados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), bem-sucedida [1, 2]. Segundo o MCTES, o plano geral de contratualizações ao abrigo do novo quadro legislativo foi concretizado com sucesso. Ainda assim, será de ressalvar que o procedimento não ocorreu conforme o disposto no diploma acima referido. Vejamos: o DL57 tinha implementação prevista para o ano de 2016, através da celebração de contratos de trabalho dos profissionais de ciência empregados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ao abrigo da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. Ainda assim, os procedimentos conducentes à concretização deste objetivo apenas começaram a ocorrer de forma efetiva em 2018, sem se verificar a total conversão dos contratos existentes, conforme constante no DL57. Estando em ano de eleições, ressurge agora a possibilidade das bolsas de pós-doutoramento. A par de tudo isto, quanto à existência de concursos com vagas por preencher, os órgãos responsáveis responderam dizendo que isso só demonstrava a eficácia da medida. Consideramos, então, a informação veiculada pelo MCTES exagerada, pois, apesar de se fazer sentir uma melhoria generalizada do paradigma da ciência em Portugal, a medida não se apresenta competitiva face às propostas de internacionalização. Esta situação retém os investigadores numa situação invariavelmente precária, motivo pelo qual, a nosso ver, muitas das vagas não foram preenchidas [3]. Em 2018, houve um aumento necessário do número de Bolsas de Doutoramento (BD) atribuídas pela FCT. Contudo, os descalabros no processo mantiveram-se, com inúmeras falhas no seu decorrer, nomeadamente quanto à incerteza e incumprimento das datas de audiência prévia, recurso e divulgação de resultados do processo. De facto, tendo agora sido divulgados os resultados do concurso de BD do ano de 2019, não há ainda resposta quanto ao recurso do processo concursal de 2018. Apesar de, ao invés de 950 bolsas, terem sido atribuídas 1350, não há ainda melhorias no sistema informático associado ao processo de candidatura. Em ambos os casos, o aumento de vagas de empregabilidade para cargos precários não pode ser por si só uma solução. Contrariamente, são medidas populistas perigosas que satisfazem a curto prazo algumas necessidades, mas falham em garantir estabilidade aos investigadores e ao Sistema Científico e Tecnológico Nacional. Urge efetuar uma planificação a longo prazo, com números de vagas a concurso adequadas, condições de trabalho dignas e capacidade de adaptar o financiamento para a ciência às suas necessidades.  

A Direção da ANBIOQ

      [1] em Público, 1 de fevereiro de 2019, ‘Ministro da Ciência: “Não tenho dúvida nenhuma” de que há “pleno emprego” entre os doutorados’ [2] em Expresso, 20 de abril de 2019, ‘3384 doutorados já foram contratados por universidades, politécnicos, centros de investigação e empresas’ [3] em Público, 22 de setembro de 2018, ‘Investigadores criticam concurso da FCT que negou contrato a 3500 candidatos’    
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